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Como a Coordenação Profissional de Provedores Transforma a Gestão Patrimonial

24 de fev. de 2026

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Editorial MAM

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O Sistema de R$ 50 Milhões: Como a Coordenação Profissional de Provedores Transforma a Gestão Patrimonial

A diferença entre uma gestão patrimonial amadora e profissional pode ser medida em dezenas de milhões de reais ao longo do tempo. Um estudo recente com famílias de alto patrimônio revelou que aquelas com coordenação profissional de seus provedores de serviços apresentaram performance superior em R$ 50 milhões acumulados ao longo de uma década, comparadas àquelas que mantiveram abordagens tradicionais e desorganizadas.

Quando pensamos numa estrutura de family office, o escritório da família tem como objetivo organizacional centralizar, abaixo da família, todo o bloco de prestadores de serviços. Este bloco inclui gerentes de banco, corretores de seguros, assessores de investimento, corretores imobiliários, auditores, contadores, advogados civilistas, trabalhistas, criminalistas e tributaristas. Todo este ecossistema de prestadores deve estar ordenado e coordenado pelo family office da família.

Esta centralização, seja realizada por um family office formal ou por um membro da família designado para esta função, é o primeiro passo para uma gestão eficiente. Sem ela, o que se observa é uma dispersão de relacionamentos, contratos e informações que dificulta significativamente a avaliação de desempenho e a otimização de custos e serviços. A complexidade deste ecossistema aumenta proporcionalmente ao tamanho e à diversificação do patrimônio familiar.

Um family office típico coordena relacionamentos com diversos tipos de prestadores de serviços. Os serviços bancários e financeiros incluem bancos privados, gestores de investimentos, corretoras de valores, assessores de investimentos e especialistas em crédito e financiamentos. Os serviços jurídicos abrangem advogados societários, tributaristas, civilistas, trabalhistas, criminalistas e especialistas em planejamento sucessório. Os serviços contábeis e fiscais envolvem contadores, auditores, consultores tributários e especialistas em compliance fiscal.

Os serviços de seguros incluem corretores de seguros patrimoniais, de vida, de saúde e especialistas em seguros para ativos específicos como arte, embarcações e aeronaves. Os serviços imobiliários abrangem corretores, administradores de propriedades, avaliadores, arquitetos e engenheiros. Os serviços especializados podem incluir consultores em arte, especialistas em filantropia, consultores em educação e planejamento de carreira para sucessores, e especialistas em governança familiar.

A realidade observada em muitas famílias, mesmo aquelas com patrimônio significativo, é de completa desorganização. Não há nenhuma organização mínima, como uma simples pasta no drive com informações de provedores, contratos e cartas de apresentação. A abordagem é puramente reativa: eventualmente surge um problema específico e a família procura alguém, sem critérios claros ou processos estruturados.

Esta abordagem reativa e desorganizada resulta em múltiplos problemas. Contratos ficam desatualizados ou contêm condições desvantajosas que nunca são revisadas. Serviços se tornam redundantes ou apresentam lacunas importantes que só são descobertas quando surgem problemas. Não há processos claros para cada tipo de demanda, resultando em respostas inconsistentes e ineficientes. Falta visibilidade sobre a qualidade e o custo-benefício dos serviços contratados. Os relacionamentos são baseados exclusivamente em confiança pessoal, sem avaliação técnica adequada.

O multifamily office desempenha um papel crucial como intermediário que pode profissionalizar estas relações e facilitar processos de avaliação e, quando necessário, de transição. O multifamily office funciona muito bem para as famílias neste sentido, porque atua como um "xerife" delas. As famílias nem precisam ficar falando diretamente com os prestadores de serviços. O multifamily office intermedia essa relação e torna esse fluxo mais profissionalizado.

Esta intermediação proporciona diversos benefícios mensuráveis. Há despersonalização das decisões, reduzindo o desconforto emocional associado à avaliação e potencial substituição de prestadores de longa data. Permite avaliação técnica objetiva, baseada em critérios técnicos claros, sem interferência de vínculos pessoais. Facilita a gestão da transição quando necessário, minimizando impactos operacionais e emocionais. Protege o relacionamento familiar, preservando laços pessoais mesmo quando a relação profissional precisa ser encerrada.

O multifamily office muitas vezes é o "boi de piranha" nestes processos. Quando há necessidade de mudança, foi o multifamily office que decidiu, não a família diretamente. Isso acaba sendo um benefício significativo para quem tem acompanhamento profissional, pois preserva relacionamentos pessoais enquanto otimiza a gestão patrimonial.

Quando um multifamily office inicia o atendimento de uma família, ele implementa um processo estruturado de organização. Circula cartas de apresentação com todo o bloco de provedores, informando sobre o início do atendimento da família. Obtém acessos para prestação de contas, extratos e contatos. Estabelece rotinas com cada prestador de serviços. Define pontos de contato mensais, agenda reuniões recorrentes e estabelece datas de coleta de dados. Organiza todos os itens que efetivamente precisam orbitar dentro das relações com esses prestadores de serviços.

Esta estruturação cria uma base sólida para múltiplos benefícios. Permite avaliação objetiva, estabelecendo métricas claras e expectativas documentadas. Facilita a comparabilidade entre diferentes provedores, usando critérios uniformes. Caso seja necessária uma mudança, toda a documentação e processos estão organizados para uma transição suave. Reduz a dependência de conhecimento tácito ou de relacionamentos pessoais, criando continuidade institucional.

Para famílias sem acesso a um multifamily office, é essencial implementar pelo menos uma versão simplificada desta estruturação. Isso inclui designar um membro da família como coordenador de provedores, com responsabilidades e autoridade claramente estabelecidas. Criar sistemas simples mas eficazes de documentação e acompanhamento, usando planilhas e calendários. Estabelecer rotinas de comunicação e avaliação com cada categoria de provedor. Buscar orientação externa quando necessário, através de consultoria pontual ou participação em grupos de famílias empresárias.

A coordenação profissional de provedores não é apenas uma questão de organização administrativa, mas uma disciplina estratégica que contribui significativamente para a performance patrimonial. Quando este processo se torna sistemático e recorrente, o patrimônio melhora significativamente, porque cada avaliação identifica oportunidades de otimização que não estavam nem mapeadas para serem melhoradas.

O investimento em coordenação profissional de provedores, seja através de um multifamily office ou de estruturação interna, representa um dos melhores retornos sobre investimento disponíveis para famílias de alto patrimônio. A diferença entre uma abordagem profissional e uma amadora pode ser medida não apenas em milhões de reais economizados, mas também em riscos evitados e oportunidades capturadas ao longo dos anos.

A gestão coordenada e profissional de provedores é essencial para transformar uma administração patrimonial desorganizada em uma operação eficiente, integrada e estratégica. É para oferecer uma gestão completa, alinhando confiança e otimização de recursos em escala global, que o MAM M.A.P. foi criado.

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