Societário, Sucessório e Tributário
Os Riscos Ocultos que Custaram Milhões a Empresários Brasileiros
23 de fev. de 2026

Editorial MAM
Editorial MAM
O Editorial MAM é formado por um núcleo estratégico da MAM Trust & Equity, composto por especialistas em sucessão, governança, estruturação internacional, fiscal e societária. Com mais de duas décadas de atuação no mercado, o time se dedica à produção de conteúdos que esclarecem os principais movimentos que impactam grandes fortunas.
Mistura Patrimonial Empresarial: Os Riscos Ocultos que Custaram Milhões a Empresários Brasileiros
Em nossa experiência de 21 anos atendendo mais de 40 famílias com volume total superior a R$ 30 bilhões, observamos um fenômeno alarmante que se repete sistematicamente entre empresários brasileiros bem-sucedidos. Uma família empresarial com patrimônio consolidado de R$ 1,2 bilhão descobriu que a mistura entre patrimônio constituído e ativos operacionais havia criado exposições que resultaram em perdas superiores a R$ 80 milhões quando processos trabalhistas e consumeristas atingiram diretamente seus bens pessoais através de estruturas societárias inadequadamente organizadas.
Esta família exemplifica uma realidade preocupante que nossa experiência identifica consistentemente: empresários que construíram patrimônios significativos através de suas operações empresariais, mas que mantêm estes patrimônios expostos aos mesmos riscos operacionais que os geraram, criando vulnerabilidades que podem comprometer décadas de construção patrimonial através de um único evento litigioso mal gerenciado.
Nossa experiência com patrimônios superiores a R$ 2 bilhões demonstra que a mistura patrimonial representa uma das principais ameaças à preservação de patrimônios empresariais no Brasil, especialmente considerando um ambiente jurídico caracterizado por instabilidade interpretativa e facilidade relativa para responsabilização de empresários por questões operacionais.
É muito comum encontrar empresários que tenham o seu patrimônio constituído, prédios, terrenos, prédios, na mesma propriedade da empresa que produziu o seu patrimônio. Esta situação, embora comum e aparentemente conveniente, representa um risco significativo para a preservação do patrimônio familiar que nossa análise sistemática identifica como uma das vulnerabilidades mais custosas e evitáveis.
A evolução do planejamento patrimonial brasileiro revela uma transformação fundamental na compreensão sobre estruturação adequada. Antigamente existia um discurso muito temerário por parte de contadores e advogados mais inexperientes a respeito da quantidade de empresas. Falava-se que uma empresa servia para os objetivos do indivíduo.
Esta visão simplista e inadequada levou muitos empresários a concentrar diferentes atividades e tipos de ativos em uma única estrutura societária, como incorporadores que mantinham construtoras dentro do mesmo CNPJ, indústrias que mantinham seu patrimônio imobiliário dentro da mesma sociedade operacional, ou prestadores de serviços que acumulavam investimentos financeiros na mesma empresa que operava com funcionários e clientes.
Com o avançar do planejamento patrimonial, hoje existem premissas mais globalmente aceitas, passou-se a se segmentar os patrimônios, a se fracionar. Esta evolução reflete uma compreensão mais sofisticada sobre os riscos inerentes à mistura patrimonial e a necessidade de implementar estruturas que protejam o patrimônio constituído dos riscos operacionais.
Nossa experiência demonstra que a mistura patrimonial cria exposições em múltiplas dimensões que podem ser exploradas por credores, autoridades fiscais, e outros interessados em atingir o patrimônio empresarial. Os principais riscos que podem afetar o patrimônio empresarial vêm de diferentes áreas operacionais que nossa análise identifica sistematicamente.
Os riscos trabalhistas representam uma das principais ameaças, pois processos movidos por funcionários podem atingir todo o patrimônio da empresa, incluindo bens que não têm relação direta com a atividade operacional. Funcionários insatisfeitos, acidentes de trabalho, questões de assédio, discriminação, ou simplesmente interpretações judiciais favoráveis aos trabalhadores podem resultar em condenações que comprometem ativos patrimoniais que deveriam estar protegidos.
Os riscos consumeristas constituem outra fonte significativa de exposição, especialmente considerando a proteção ampla que o Código de Defesa do Consumidor oferece aos consumidores brasileiros. Ações de consumidores podem resultar em indenizações significativas que atingem todo o patrimônio empresarial, incluindo bens imóveis, investimentos financeiros, e outras classes de ativos que não têm relação direta com o produto ou serviço que gerou a reclamação.
Os riscos civilistas compreendem disputas contratuais, questões de responsabilidade civil, acidentes envolvendo produtos ou serviços da empresa, e outras questões civis que podem comprometer os ativos empresariais. Fornecedores insatisfeitos, parceiros comerciais, acidentes envolvendo terceiros, ou interpretações contratuais desfavoráveis podem resultar em execuções que atingem todo o patrimônio da empresa.
Como enfatizamos em nossa análise: não é um risco que existe e você não deve ter patrimônio constituído dentro da sua estrutura empresarial. Você deve ter o seu patrimônio constituído o mais blindado possível de credores, de receita, desses contágios empresariais que podem vir de áreas de consumo, cíveis, trabalhistas, preponderantemente.
A mistura patrimonial amplifica estes riscos porque cria uma situação onde todo o patrimônio empresarial fica exposto a qualquer problema operacional, independentemente da relação entre o ativo específico e a questão que gerou o litígio. Um imóvel adquirido com recursos gerados pela empresa, mas que não tem relação com a operação atual, pode ser executado para satisfazer uma dívida trabalhista ou uma condenação consumerista.
Nossa experiência revela casos concretos onde a falta de segregação patrimonial resultou em perdas devastadoras. Empresários que construíram patrimônios significativos ao longo de décadas viram seus bens pessoais serem atingidos por problemas operacionais que poderiam ter sido isolados através de estruturação adequada.
Um caso exemplar envolveu um empresário do setor de construção civil que mantinha seus imóveis pessoais, investimentos financeiros, e participações em outras empresas dentro da mesma estrutura societária que operava a construtora. Quando a empresa enfrentou problemas trabalhistas relacionados a um acidente de obra, a execução atingiu não apenas os ativos operacionais, mas também imóveis residenciais, aplicações financeiras, e participações societárias que não tinham qualquer relação com a atividade de construção.
Outro caso envolveu uma família empresarial do setor de serviços que mantinha seu patrimônio imobiliário dentro da mesma empresa que prestava serviços a consumidores. Quando a empresa foi condenada em uma ação consumerista por falha na prestação de serviços, a execução atingiu imóveis comerciais e residenciais que representavam décadas de acumulação patrimonial, comprometendo não apenas a geração atual, mas também o planejamento sucessório para as próximas gerações.
A evolução das práticas de planejamento patrimonial reconhece que hoje é uma prática já adotada por auditorias, por consultores, advogados e contadores, a segregação dos ativos empresariais do patrimônio constituído, visando sempre a perpetuidade do patrimônio, a proteção. Esta evolução reflete não apenas uma compreensão mais sofisticada sobre riscos, mas também o desenvolvimento de ferramentas jurídicas e societárias que permitem implementar segregação eficaz.
A segregação patrimonial adequada requer separação física e jurídica entre diferentes tipos de ativos, com cada classe de ativo sendo detida por estruturas societárias específicas e adequadas à sua natureza. Passou-se, inclusive, a se censurar você ter o ativo imobiliário, por exemplo, da sua empresa dentro do CNPJ que opera a sua empresa, que tem funcionários que emitem nota. Que podem ter problemas consumiristas, civilistas.
Esta censura reflete uma compreensão mais madura sobre os riscos inerentes à mistura patrimonial e a necessidade de implementar estruturas que isolem diferentes tipos de riscos. O imóvel onde funciona uma empresa deve estar em uma empresa patrimonial específica, que o aluga para a empresa operacional através de um contrato formal de locação, criando separação jurídica que protege o ativo imobiliário dos riscos operacionais.
Os investimentos financeiros gerados pela atividade empresarial também devem ser segregados da operação, preferencialmente em estruturas específicas para gestão de investimentos que não tenham exposição aos riscos trabalhistas, consumeristas, ou civilistas da operação principal. Esta segregação permite que os recursos acumulados sejam protegidos e gerenciados de forma profissional, sem exposição aos riscos operacionais.
As participações em outras empresas devem ser organizadas em holdings específicas, separando o risco operacional de cada negócio e permitindo gestão integrada do portfólio de participações sem contaminação entre diferentes atividades empresariais.
A implementação de segregação patrimonial eficaz requer abordagem sistemática que nossa experiência demonstra ser fundamental. Cada tipo de patrimônio no seu veículo correto, a gente não vai colocar imóvel junto com dinheiro, nós não vamos colocar cotas sociais junto com imóvel. Cada veículo deve deter a sua estrutura empresarial.
Esta especialização por tipo de ativo permite não apenas proteção contra riscos, mas também otimização tributária, governança adequada, e planejamento sucessório específico para cada classe de ativo. Imóveis têm características tributárias e sucessórias diferentes de investimentos financeiros, que por sua vez têm características diferentes de participações societárias.
A formalização adequada das relações entre diferentes estruturas é fundamental para eficácia da segregação. Com contratos com você enquanto acionista, também corretos, ainda que a administração clara, dessa forma você vai ter certamente aí muito mais proteção e com isso previsibilidade a respeito da perpetuidade dos seus bens.
Contratos de locação entre empresas patrimoniais e operacionais, contratos de prestação de serviços entre holdings e subsidiárias, contratos de gestão entre estruturas de investimento e operacionais, e outros instrumentos contratuais devem ser formalizados adequadamente para criar substância jurídica à segregação e resistir a questionamentos de credores ou autoridades fiscais.
A governança específica para cada estrutura permite gestão profissional adequada à natureza de cada tipo de ativo. Cada item com seu cluster de riscos, dentro de um cluster de estrutura societária, com governança própria, separando as classes de ativos e o próprio detentor desses ativos.
Esta especialização de governança permite que imóveis sejam gerenciados com foco em valorização e renda, investimentos financeiros sejam gerenciados com foco em performance e diversificação, e participações societárias sejam gerenciadas com foco em criação de valor e sinergia, cada um com processos decisórios, métricas de performance, e estruturas de controle adequadas à sua natureza específica.
Nossa experiência demonstra que a segregação patrimonial adequada proporciona benefícios que transcendem a simples proteção contra riscos. Para que você tenha não só mais segurança jurídica, mas também eficiência tributária, clareza na governança e estruturas sucessórias adequadas para cada tipo de ativo.
A segurança jurídica decorre da proteção do patrimônio constituído contra riscos operacionais, permitindo que empresários foquem no crescimento de seus negócios sem preocupação de que problemas operacionais possam comprometer o patrimônio acumulado ao longo de décadas.
A eficiência tributária resulta da possibilidade de otimizar a carga tributária de forma lícita para cada tipo de ativo, aproveitando benefícios fiscais específicos e evitando tributação desnecessária que pode ocorrer quando diferentes tipos de ativos são mantidos na mesma estrutura societária.
A clareza na governança facilita a gestão profissional de cada tipo de ativo, permitindo especialização, foco, e accountability adequados para maximizar performance e minimizar riscos específicos de cada classe de ativo.
As estruturas sucessórias adequadas permitem planejamento sucessório específico para cada tipo de ativo, considerando suas características particulares, objetivos familiares, e estratégias de transição geracional que podem ser diferentes para imóveis, investimentos financeiros, e participações societárias.
Como enfatizamos em nossa recomendação: faça tudo de forma lícita, faça tudo seguindo os ritos corretos, contábeis e jurídicos, para que você tenha ao final da sua jornada efetivamente seu patrimônio segregado, mas de uma forma correta, com os veículos corretos, com as empresas corretas, com os contratos entre estruturas patrimoniais e societárias também corretos.
Nossa experiência com volume total superior a R$ 30 bilhões confirma que empresários que reconhecem os riscos da mistura patrimonial e implementam segregação adequada conseguem preservar e fazer crescer seus patrimônios de forma sustentável, enquanto aqueles que negligenciam estes aspectos frequentemente enfrentam perdas significativas que poderiam ter sido evitadas através de estruturação adequada.
A diferença entre empresários que prosperam com proteção patrimonial adequada e aqueles que enfrentam perdas por mistura patrimonial não é acidental, mas resultado direto da implementação disciplinada de estruturas que separam patrimônio constituído de riscos operacionais, distinguindo famílias que preservam patrimônios através de gerações daquelas que são surpreendidas por perdas que comprometem décadas de construção patrimonial através de eventos que poderiam ter sido isolados com segregação adequada.
Proteger seu patrimônio do risco operacional requer mais do que disciplina empresarial: é necessário criar estruturas eficazes que isolem ativos e garantam sua preservação ao longo das gerações. É para transformar vulnerabilidades em proteção total e alinhar governança e sucessão ao crescimento sustentável que o COMPASS foi criado.



