Economia Real
Por Que 85% dos Proprietários Negligenciam a Revisão Anual de Contratos de Aluguel
11 de fev. de 2026

Editorial MAM
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O Erro de R$ 25 Milhões: Por Que 85% dos Proprietários Negligenciam a Revisão Anual de Contratos de Aluguel
A gestão de patrimônio imobiliário envolve muito mais do que simplesmente adquirir propriedades e aguardar a valorização. Um dos aspectos mais críticos e frequentemente negligenciados é a gestão adequada dos contratos de aluguel. Uma análise recente de carteiras imobiliárias revelou que aproximadamente 85% dos proprietários cometem o mesmo erro devastador: não realizam revisões anuais sistemáticas de seus contratos de locação, resultando em perdas acumuladas que podem atingir R$ 25 milhões ao longo de duas décadas.
O problema é surpreendentemente comum, mesmo entre proprietários experientes. É rotineiro encontrar carteiras imobiliárias extensas com contratos que não são revisados há cinco ou seis anos, com valores significativamente abaixo do mercado ou com garantias inadequadas. Esta situação resulta em rendimentos substancialmente inferiores ao potencial real dos ativos, além de expor o proprietário a riscos desnecessários que poderiam ser facilmente evitados.
A abordagem passiva em relação aos contratos de aluguel representa uma das formas mais silenciosas de erosão patrimonial. Muitos proprietários adotam uma postura de "assinar e esquecer", revisitando os contratos apenas quando problemas surgem. Esta mentalidade reativa, contudo, resulta invariavelmente em oportunidades perdidas e riscos desnecessários. Um caso exemplar ilustra dramaticamente este ponto: uma família empresária com carteira de 15 imóveis comerciais descobriu que estava recebendo, em média, 35% menos do que o valor de mercado devido à falta de revisões periódicas, representando uma perda anual de R$ 1,2 milhão.
A recomendação dos especialistas é clara e direta: todos os contratos de aluguel devem passar por um crivo anual de atualização. Esta revisão sistemática não se limita apenas ao reajuste monetário previsto contratualmente, geralmente atrelado a índices inflacionários, mas abrange uma análise completa de todos os aspectos do contrato. A revisão anual deve ocorrer independentemente da existência de cláusulas de reajuste automático, pois mesmo contratos bem estruturados inicialmente podem se tornar desalinhados com as condições de mercado ao longo do tempo.
A implementação de um processo estruturado de revisão anual proporciona múltiplos benefícios mensuráveis. Primeiro, há a maximização de rendimentos através de ajustes regulares que garantem que os valores praticados permaneçam alinhados com o mercado, evitando a erosão gradual da rentabilidade. Segundo, permite a identificação precoce de riscos, pois a análise periódica detecta potenciais problemas antes que se tornem críticos, como deterioração da capacidade financeira do inquilino. Terceiro, contribui para a preservação do valor do ativo através do monitoramento constante do estado de conservação do imóvel, prevenindo depreciação acelerada e custos elevados de recuperação.
Uma revisão anual eficaz deve contemplar, no mínimo, a avaliação de valor de mercado através da verificação se o valor praticado está alinhado com imóveis similares na mesma região. É fundamental realizar uma avaliação individual por um agente imobiliário para indicar o aluguel desejado daquele imóvel. Deve incluir também análise de crédito atualizada com nova consulta ao histórico financeiro e capacidade de pagamento do inquilino, incluindo a obtenção de um novo Serasa do inquilino como parte essencial da revisão.
A inspeção do estado do imóvel representa outro componente crítico, com verificação das condições de conservação e identificação de necessidades de manutenção. O princípio da entropia acomete todos os imóveis, que estão a todo momento se depreciando em relação ao que se tinha no momento da aquisição. Sem manutenção adequada e atualizações periódicas, todo imóvel sofre depreciação contínua, tanto física quanto funcional e econômica, impactando diretamente o valor de mercado do ativo e o potencial de geração de renda.
A revisão das garantias constitui elemento fundamental do processo, com avaliação da adequação e suficiência das garantias existentes. Entre as diversas modalidades disponíveis, o seguro fiança destaca-se como a opção mais recomendada por especialistas. É melhor ter uma seguradora cobrindo o contrato do que simplesmente um depósito do indivíduo, pois você tem um jurídico da seguradora trabalhando a seu favor também, na interpretação do contrato e no apoio dos itens necessários.
A análise das cláusulas contratuais deve verificar a pertinência e eficácia das disposições frente às condições atuais. Um aspecto frequentemente negligenciado é o equilíbrio entre a segurança de contratos de longo prazo e a flexibilidade para ajustes. Por mais tentador que seja fazer um contrato mais longo, seguindo a lei do inquilinato, existe a possibilidade de ter o imóvel de volta todos os anos, permitindo escolher anualmente quanto se quer de aluguel.
Quando aplicável, a avaliação do desempenho da administradora representa componente essencial da revisão, com análise crítica dos serviços prestados pela administradora responsável. É necessário revisar a administradora que está cuidando do aluguel, verificando a qualidade dos serviços, tempestividade dos repasses e adequação das taxas cobradas.
O monitoramento contínuo do risco de crédito representa um elemento frequentemente negligenciado na gestão de contratos de aluguel. A situação financeira dos inquilinos pode mudar significativamente ao longo do tempo, mesmo quando o histórico inicial era positivo. Fatores como mudanças na situação de emprego, alterações na estrutura familiar, assunção de novos compromissos financeiros ou deterioração geral da economia podem impactar substancialmente a capacidade de pagamento.
A negligência na implementação de processos sistemáticos de revisão anual representa um risco patrimonial concreto e mensurável. O custo da inação pode ser calculado não apenas em milhões de reais perdidos em rentabilidade subótima, mas também em oportunidades desperdiçadas e riscos desnecessários assumidos ao longo dos anos. A transformação de uma abordagem passiva e reativa para uma gestão proativa e estruturada pode resultar em aumento significativo da rentabilidade, redução de riscos, preservação do valor dos ativos e maior previsibilidade operacional.
Como enfatizado pelos especialistas, a gestão eficiente de contratos de aluguel não é uma opção, mas uma obrigação do proprietário responsável. Estado do imóvel, reajuste e equilíbrio de preços contratuais, possibilidade de encerrar contratos quando necessário e atualização em relação ao risco de crédito e pagamento são quatro tarefas que deveriam ser adicionadas em todos os imóveis, todos os anos, para garantir a entrega da melhor prática possível para aquele ativo.
Garantir a maximização da rentabilidade e a proteção do patrimônio imobiliário não está apenas no simples ato de adquirir imóveis, mas em adotar práticas estruturadas, como a revisão anual de contratos. Transformar uma abordagem passiva em gestão proativa pode ser determinante para evitar perdas significativas e alinhar cada ativo às condições de mercado e às melhores práticas jurídicas e operacionais. É exatamente para transformar confusão em clareza e riscos em proteção que o MAM M.A.P. foi desenvolvido.



