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Por Que 90% das Famílias Ricas Negligenciam Concorrência Entre Provedores de Serviços

6 de fev. de 2026

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Editorial MAM

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O Editorial MAM é formado por um núcleo estratégico da MAM Trust & Equity, composto por especialistas em sucessão, governança, estruturação internacional, fiscal e societária. Com mais de duas décadas de atuação no mercado, o time se dedica à produção de conteúdos que esclarecem os principais movimentos que impactam grandes fortunas.

O Erro de R$ 15 Milhões: Por Que 90% das Famílias Ricas Negligenciam Concorrência Entre Provedores de Serviços

A gestão patrimonial de alto nível envolve uma complexa rede de prestadores de serviços especializados, desde bancos privados e gestores de investimentos até advogados tributaristas e corretores de seguros. No entanto, uma prática fundamental para a otimização desta rede é sistematicamente negligenciada por aproximadamente 90% das famílias de alto patrimônio: a realização de concorrências periódicas entre provedores de serviços.

Esta negligência não é apenas uma questão de eficiência operacional. Ela representa um risco financeiro concreto e mensurável que pode custar milhões de reais ao longo do tempo. Um caso recente ilustra dramaticamente este ponto: uma família empresária com patrimônio de R$ 200 milhões descobriu, após uma auditoria abrangente de seus provedores, que estava pagando aproximadamente R$ 3 milhões anuais a mais do que o necessário em taxas e honorários, além de estar exposta a riscos fiscais e jurídicos que poderiam ter resultado em contingências de até R$ 15 milhões.

O problema fundamental reside na confusão entre lealdade pessoal e excelência técnica. Muitas famílias desenvolvem relacionamentos de décadas com seus prestadores de serviços, criando vínculos que transcendem a esfera profissional. Embora esta confiança seja valiosa, ela pode se tornar uma armadilha quando impede a avaliação objetiva da qualidade dos serviços prestados. É comum encontrar famílias onde o contador é tecnicamente inadequado para as necessidades atuais, mas permanece na função há 40 anos por ser "amigo da família". O mesmo padrão se repete com gerentes de banco, advogados e outros prestadores que se tornaram praticamente membros estendidos da família.

A evolução natural das necessidades patrimoniais agrava este problema. O que era adequado quando o patrimônio familiar era de R$ 10 milhões pode ser completamente insuficiente quando ele atinge R$ 100 milhões ou mais. Um contador que atendia adequadamente uma estrutura simples pode não ter competência para lidar com balanços de empresas offshore, compensações fiscais complexas ou estruturas societárias sofisticadas. Esta defasagem entre competências do provedor e necessidades atuais da família cria vulnerabilidades significativas.

O processo de concorrência entre provedores não é meramente uma comparação de preços, mas uma avaliação abrangente que considera múltiplos fatores críticos. Quando uma família submete seus contratos atuais a processos concorrenciais, os próprios candidatos identificam pontos fracos que podem ter passado despercebidos por anos. Eles revelam lacunas no escopo de serviços, cláusulas contratuais desvantajosas e oportunidades de otimização que não estavam sendo exploradas.

Os benefícios tangíveis deste processo são múltiplos e mensuráveis. Primeiro, há a identificação de lacunas nos contratos atuais. Quando prestadores concorrentes analisam os acordos existentes, eles naturalmente destacam deficiências para demonstrar seu valor superior. Esta "iluminação" de pontos fracos é extremamente valiosa, revelando aspectos que a família pode não ter identificado previamente. Segundo, há a melhoria nas condições comerciais. A pressão competitiva frequentemente resulta em condições mais vantajosas, mesmo quando a decisão final é manter o provedor atual. Terceiro, há a exposição a novas abordagens e soluções. Este benefício é particularmente valioso em um ambiente de rápida evolução tecnológica e regulatória.

A periodicidade é crucial para maximizar os benefícios deste processo. Recomenda-se estabelecer uma recorrência pelo menos anual, com alguns tipos de serviços sendo avaliados semestralmente. Serviços financeiros devem ser revisados a cada seis meses, alinhados com ciclos de rebalanceamento de carteira. Serviços jurídicos e contábeis merecem avaliação anual, preferencialmente após o fechamento do ano fiscal. Seguros devem ser analisados anualmente, alguns meses antes do vencimento das apólices.

O desafio da transição, quando a decisão é substituir um provedor de longa data, é real e deve ser gerenciado cuidadosamente. A resistência emocional, a complexidade operacional e a curva de aprendizado do novo provedor são obstáculos que podem ser superados com planejamento adequado e comunicação clara. O papel de um multifamily office como intermediário pode ser crucial neste processo, despersonalizando as decisões e facilitando transições quando necessárias.

Para famílias sem estrutura formal de family office, é essencial designar um "coordenador de provedores" e estabelecer datas-base para realizar estas atividades. A abordagem deve ser gradual, iniciando com as categorias de provedores mais significativas em termos de impacto e custo, expandindo gradualmente para outras categorias.

A realização de concorrências periódicas entre provedores de serviços não é apenas uma prática administrativa, mas uma disciplina essencial para a preservação e o crescimento patrimonial sustentável. Quando este processo se torna recorrente, o patrimônio melhora significativamente, porque cada concorrente identifica erros dos outros, promovendo uma melhoria orgânica de processos que nem estavam mapeados para serem aprimorados.

O convite é para a ação: estabelecer um processo sistemático de avaliação e concorrência entre provedores, adaptado às necessidades específicas da família e integrado ao seu planejamento patrimonial mais amplo. O custo da inação pode ser medido em milhões de reais perdidos e oportunidades desperdiçadas ao longo dos anos.

Entender que a concorrência entre provedores de serviços é essencial para reduzir custos e mitigar riscos é apenas o primeiro passo. O verdadeiro ganho está em estruturar um processo contínuo e técnico que avalie contratos, competências, exposições fiscais e fragilidades jurídicas de forma integrada ao patrimônio da família. É para identificar onde milhões estão sendo perdidos por inércia, lealdade mal direcionada e ausência de diagnóstico estrutural que o Compass foi criado.

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