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Por Que Famílias Ricas Negligenciam Pontos de Saída e Destroem Disciplina de Investimento

16 de fev. de 2026

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Editorial MAM

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O Editorial MAM é formado por um núcleo estratégico da MAM Trust & Equity, composto por especialistas em sucessão, governança, estruturação internacional, fiscal e societária. Com mais de duas décadas de atuação no mercado, o time se dedica à produção de conteúdos que esclarecem os principais movimentos que impactam grandes fortunas.

O Erro de R$ 35 Milhões: Por Que Famílias Ricas Negligenciam Pontos de Saída e Destroem Disciplina de Investimento

Em nossa trajetória de 21 anos atendendo mais de 40 famílias com volume total superior a R$ 30 bilhões, observamos um padrão devastador que se repete entre investidores de alto patrimônio. Independentemente da sofisticação de suas carteiras ou do valor dos ativos que possuem, a grande maioria opera sem pontos de saída definidos para seus investimentos. O resultado é previsível e custoso.

Recentemente, analisamos o caso de uma família empresarial com patrimônio de R$ 800 milhões que, ao longo de oito anos, perdeu aproximadamente R$ 35 milhões em oportunidades não capturadas devido à ausência de critérios objetivos para saída de investimentos. Esta família mantinha posições em imóveis, ações e participações empresariais que já não atendiam aos seus critérios originais de rentabilidade, mas permaneciam na carteira por apego emocional e falta de disciplina sistemática.

Este caso exemplifica um problema fundamental que identificamos em praticamente todas as famílias que chegam até nossa gestão patrimonial. Como destaca nossa experiência prática, é um ponto que muitas vezes é negligenciado por investidores iniciantes, por famílias desacompanhadas e acaba dando um tom de passividade na carteira que definitivamente não é desejável.

A ausência de pontos de saída claros representa uma das principais causas de deterioração da performance patrimonial ao longo do tempo. Quando você não tem ponto de saída, não tem um regramento prático do patrimônio. Você pode ter aquele imóvel residencial que comprou, que deu uma valorização inicial e você se apegou àquela valorização, mas de repente esse ativo está alugado com um índice não tão bom, também não valoriza mais, mas como você não tem uma regra sobre aquilo, você não tem um ponto de saída definido.

Esta situação cria um ciclo vicioso de passividade na gestão patrimonial. Todos os ativos que estão em uma carteira têm que ter um ponto de saída. Esta afirmação destaca um princípio fundamental que distingue gestão patrimonial profissional de amadora: nenhum investimento deve ser considerado permanente ou "para sempre". Cada posição em sua carteira deve ser constantemente avaliada quanto à sua adequação aos seus objetivos e ao seu custo de oportunidade.

O apego emocional aos investimentos é um dos principais problemas que surgem quando não há pontos de saída definidos. Nossa experiência com patrimônios superiores a R$ 2 bilhões demonstra que famílias que mantêm ativos por razões emocionais, em vez de critérios objetivos, frequentemente comprometem o desempenho global de suas carteiras. Este apego pode levar à manutenção de ativos que já não atendem aos critérios de rentabilidade ou risco desejados.

A disciplina na gestão patrimonial exige que cada ativo da carteira tenha um ponto de saída objetivo. Esta objetividade reduz a influência de vieses comportamentais nas decisões de investimento, como a aversão à perda ou o efeito disposição, que é a tendência a vender ativos com lucro rapidamente e manter ativos com prejuízo por muito tempo.

Para ativos como ações ou títulos públicos, estabelecer pontos de saída pode ser relativamente direto. No caso de ações, é até mais fácil, você tem uma posição de ação, o seu ponto de saída é em determinado percentual, se você tem um título público, se o seu preço unitário alcançar determinado valor, você sai. Este tipo de ponto de saída é particularmente útil para estratégias de ganho de capital, onde o objetivo é capturar uma valorização específica.

Para outros ativos, especialmente imóveis, o ponto de saída pode ser baseado em uma tese de investimento. Pode ser uma tese, por exemplo, uma valorização de metro quadrado anual referente a cinco por cento, pode dar um gatilho para liquidar uma posição imobiliária que você tem na sua carteira. Neste caso, o investidor estabelece uma condição específica que, quando não mais atendida, sinaliza o momento de sair do investimento.

Um critério fundamental para pontos de saída é o custo de oportunidade. Você tem que calcular o seu custo de oportunidade. Qual é o seu custo de oportunidade? O meu custo de oportunidade é determinado valor. Quando aquele ativo perde no custo de oportunidade, não faz sentido você ter aquele ativo. Este enfoque compara o retorno esperado do ativo atual com outras oportunidades disponíveis no mercado, considerando o nível de risco equivalente.

A conexão entre política de investimentos e pontos de saída é fundamental para uma gestão eficaz. Montada a política de investimentos, você vai ter uma listagem de ativos comprados para cada classe de ativo. Na sua política você não vai elaborar a saída do ativo, porque na sua política você vai falar de classe. Definiu a classe de ativo e aí você vai escolher os ativos finais. Cada ativo que você adicionar na sua carteira tem que ter uma tese de saída, tem que ter um ponto de saída, tem que ter um preço de saída, tem que ter um momento.

Esta hierarquia é fundamental para uma gestão estruturada. Primeiro, a política de investimentos define as classes de ativos, alocações-alvo e critérios gerais. Segundo, a seleção de ativos escolhe os investimentos específicos dentro de cada classe. Terceiro, os pontos de saída definem os critérios específicos para saída de cada ativo individual.

A ausência de uma política de investimentos clara dificulta o estabelecimento de pontos de saída eficazes. Você fica naquela sensação de que é melhor ter um imóvel, que você não tem exatamente o que fazer se você vender, porque normalmente quem não tem uma deliberação clara de ponto de saída é porque não tem uma política de investimento. Se você não tem uma política, você não tem um destino para poder alocar o seu capital, então também vender um ativo não faz sentido nenhum porque você vai ficar com o dinheiro parado.

É importante reconhecer que os pontos de saída devem ser ajustados conforme o contexto específico de cada investimento. É claro que você vai ter custos de oportunidade ajustados por renda. Então não vamos esperar um produtor de renda na França pagar o mesmo que o produtor de renda em São Paulo. Você tem culturas diferentes, índices diferentes, expectativas de retorno de mercado diferentes. Cada país vai ter uma característica diferente. Cada local e cada ativo também vai ter uma expectativa diferente em relação à sua potencialidade.

Fatores a considerar ao ajustar pontos de saída incluem localização geográfica, onde diferentes mercados têm diferentes expectativas de retorno, classe de ativo, onde cada classe tem seu próprio perfil de risco-retorno, ciclo econômico, onde os pontos de saída podem variar conforme o momento do ciclo, objetivos específicos, alinhamento com necessidades de liquidez, renda ou crescimento, e horizonte temporal, onde investimentos de curto, médio e longo prazo têm diferentes critérios.

Ter pontos de saída claros permite uma gestão mais proativa do patrimônio. Uma vez sabendo isso, você vai conseguir lidar com a sua carteira, saber quando liquidar, agir proativamente, antecipadamente, objetivando os passos que você precisa dar e construir uma base sólida de dinamismo na sua alocação, ou seja, uma base clara, objetiva de quando e o que fazer e quando acontecer o evento específico com cada um dos ativos da sua carteira.

Esta proatividade contrasta com a abordagem reativa comum entre investidores sem estratégias de saída definidas. Pontos de saída predefinidos ajudam a mitigar vieses comportamentais como o efeito disposição, ancoragem, aversão à perda, viés de confirmação e falácia dos custos irrecuperáveis.

Uma estratégia de saída bem definida contribui para otimizar o desempenho global da carteira, permitindo realocar capital de investimentos menos promissores para oportunidades melhores, ajudando a capturar ganhos em momentos oportunos, facilitando o rebalanceamento da carteira conforme a política de investimentos, reduzindo a exposição a ativos que não atendem mais aos critérios de investimento e aumentando a disciplina na execução da estratégia de investimentos.

Nossa experiência com mais de R$ 30 bilhões em volume total confirma que famílias que implementam pontos de saída estruturados conseguem resultados superiores de forma consistente. A família mencionada no início, após implementar critérios objetivos de saída, conseguiu recuperar parte das perdas e estabelecer uma trajetória de crescimento mais disciplinada e eficaz.

Para cada ativo em sua carteira, é necessário identificar o objetivo específico daquele investimento, avaliar seu desempenho histórico e perspectivas futuras, comparar com alternativas disponíveis na mesma classe de ativos e determinar seu custo de oportunidade ajustado ao risco. Cada ativo que você adicionar na sua carteira tem que ter uma tese de saída, tem que ter um ponto de saída, tem que ter um preço de saída, tem que ter um momento.

Se você tem um ativo na sua carteira que você não sabe quando ele vai ser ruim para você, é porque você está operando de forma amadora. Você tem que saber quando os ativos da sua carteira já não fazem mais sentido de estar na sua carteira. Isso é uma obrigação sua. Esta disciplina fundamental distingue gestão patrimonial profissional de abordagens amadoras que comprometem resultados de longo prazo.

A definição de pontos de saída não é um evento único, mas um processo contínuo que deve ser revisado e ajustado regularmente conforme mudam as circunstâncias e objetivos. Esta abordagem disciplinada e proativa permite otimizar o desempenho da carteira, reduzir a influência de vieses comportamentais, alinhar constantemente seus investimentos aos seus objetivos e adaptar-se a mudanças nas condições de mercado e em sua situação pessoal.

Definir pontos de saída não é apenas sobre vender no momento certo, mas sobre transformar decisões emocionais em disciplina estratégica, passividade em gestão ativa e patrimônio estagnado em capital dinâmico e orientado por critérios objetivos.

É para transformar carteiras reativas em estruturas com política clara, critérios técnicos e governança de investimentos baseada em dados que o COMPASS foi criado.

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