Economia Real
Por Que 90% dos Investidores Negligenciam Garantias Reais e Gravames em Órgãos Públicos
10 de out. de 2025

Editorial MAM
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Por Que 90% dos Investidores Negligenciam Garantias Reais e Gravames em Órgãos Públicos
A negligência em relação às garantias reais e seu adequado registro através de gravames em órgãos públicos representa uma das principais causas de perdas patrimoniais devastadoras, podendo custar até R$ 40 milhões em investimentos comprometidos por garantias inexistentes ou inadequadamente registradas. Como alertam os especialistas, escolher o veículo de investimento errado ou não ter uma estrutura de veículos de investimento adequada pode ser uma causa mortis para a sua estrutura patrimonial. Esta afirmação dramática destaca como a ausência de garantias adequadamente estruturadas pode literalmente destruir patrimônios familiares construídos ao longo de décadas.
A compreensão fundamental que deve orientar qualquer investidor é que, independentemente do invólucro financeiro, existe sempre um investimento final na economia real. O dinheiro veste a roupa que precisar. Quando você investe num CRI, você investe num produto final. Quando você investe num LCI, você investe num produto final. Quando você investe num CDB, você investe no banco. Então, assim, no final, existe um investimento em economia real.
Esta compreensão é crucial porque revela que, mesmo em investimentos aparentemente seguros e regulados, existem riscos associados ao ativo final que lastreia o instrumento financeiro. Há uma sensação tecnicamente incorreta de segurança maior em relação a instrumentos financeiros do que investimentos reais, investimentos finais. Esta percepção de maior segurança em instrumentos financeiros deriva principalmente da presença de reguladores e da padronização dos processos.
Contudo, o que a maior parte das pessoas negligencia dentro desse ambiente é de que os instrumentos financeiros são roupas que os investimentos vestem para receberem o capital do investidor. A realidade subjacente permanece a mesma: todo investimento possui riscos inerentes que devem ser mitigados através de garantias adequadamente estruturadas e registradas.
As garantias representam uma proteção essencial contra o risco de inadimplência ou insucesso de um investimento, funcionando como uma rede de segurança que permite ao investidor recuperar ao menos parte do capital investido em caso de problemas. Para você que ainda não tem esse acompanhamento profissional, o mais recomendado, é que você tenha uma estrutura de garantias, você vai investir, já que é difícil para você entender o que é a economia real final, o que é veículo de investimento, se efetivamente é aquele veículo precisaria ser necessário ou não? Você precisa ter um nível de segurança maior sobre o seu investimento.
Existem diversos tipos de garantias que podem ser associadas a investimentos. As garantias, existem vários tipos de garantias, quirografadas, coordinadas, garantias reais. Quando a gente pensa em investimento real, vamos pensar em investimentos imobiliários, que são, eu diria, os principais, o investimento imobiliário, ele é o principal tipo de investimento hoje, para brasileiros, além dos instrumentos financeiros.
Garantias reais são aquelas vinculadas a bens tangíveis, como imóveis, equipamentos, veículos. Em caso de inadimplência, o credor pode executar estes bens para recuperar seu investimento. Garantias quirografárias são garantias baseadas apenas na promessa de pagamento do devedor, sem vinculação específica a bens, representando um nível menor de segurança. Garantias fidejussórias são garantias prestadas por terceiros, como fianças e avais, onde uma pessoa ou empresa se compromete a honrar a dívida em caso de inadimplência do devedor principal.
Um dos principais alertas dos especialistas refere-se à falsa sensação de segurança que muitos investidores têm ao ver garantias mencionadas em contratos. Assim como uma garantia só no papel, ela não tem a menor importância, ah não, eu vou te colocar aqui o meu terreno como garantia, aí vai lá no contrato. Bota lá os dados do terreno, bota tudo. Mas no cartório de imóveis da região, o terreno não está sendo gravame.
Esta situação cria uma vulnerabilidade significativa. Então, qualquer outro credor que acesse aquele cartório para fazer uma barredura no nome do dono do terreno, por exemplo, supondo que seja um devedor, ele vai encontrar o terreno disponível para uma execução. Então, o terreno não é seu. Ele não está na sua garantia de fato.
Um caso exemplar ilustra dramaticamente como a negligência em relação a garantias e gravames pode destruir valor patrimonial. Uma família empresária investiu R$ 25 milhões em múltiplos projetos imobiliários ao longo de cinco anos, sempre exigindo garantias que consideravam robustas. Todos os contratos continham descrições detalhadas de imóveis oferecidos como garantia, com valores de avaliação que cobriam amplamente os investimentos realizados.
Durante anos, sentiram-se seguros com estas garantias aparentemente sólidas. Quando problemas começaram a surgir em alguns projetos, descobriram uma realidade devastadora: nenhuma das garantias estava adequadamente registrada nos cartórios de imóveis. Os terrenos e imóveis oferecidos como garantia permaneciam livres e desembaraçados, disponíveis para execução por outros credores.
Pior ainda, alguns dos imóveis já haviam sido oferecidos como garantia para outros investidores e instituições financeiras. Quando tentaram executar as garantias, descobriram que outros credores tinham prioridade legal por terem registrado adequadamente seus gravames. O resultado foi perda total de R$ 18,7 milhões em investimentos que acreditavam estar protegidos por garantias sólidas.
Os especialistas destacam dois elementos essenciais que devem ser verificados em qualquer garantia. O primeiro ponto quando a gente pensa em garantia é validar o valor da garantia. Validar o quanto essa garantia efetivamente vale, para que você tenha a tranquilidade de que aquele dinheiro aportado, ele irá retornar.
Esta validação é crucial porque já passei por fraudes aqui. Que apenas no momento da fraude, a gente investigando o terreno final, os ativos garantidores finais, nós vimos que aqueles ativos garantidores não correspondiam ao que eles deveriam valer. O especialista alerta para um cenário preocupante: porque mesmo que você tenha uma capacidade de executar a garantia, é uma garantia que não vale o que ela diz valer.
A recomendação é clara: e se ele não retornar, você vai ter uma garantia que vale mais do que o seu investimento, para você poder converter essa garantia em dinheiro no tempo que precisar. O segundo pilar, igualmente importante, é garantir que a garantia esteja formalmente registrada e vinculada ao seu investimento.
Não basta dizer que tem um ativo em garantia, ele embaixo está no contrato do investimento, que pode ser, por exemplo, um empréstimo direto, mútuo, normal, sem esse ativo estar registrado, gravamado, vinculado a esse contrato de empréstimo nos cartórios, nas juntas comerciais, se forem cotas da sociedade, enfim. É preciso que as suas garantias estejam registradas em nome do seu investimento.
Este registro é o que assegura a efetividade da garantia. E esse gravame, esse registro nos órgãos públicos, ele ocorre em qualquer lugar do mundo. Em Portugal, se você vai fazer uma aparação de empréstimo que tem um ativo imobiliário como garantia, você tem lá que registrar nos órgãos públicos esse gravame. Aqui no Brasil, da mesma forma. Nos Estados Unidos, da mesma forma.
Gravames são anotações ou registros formais em órgãos públicos que indicam a existência de ônus, limitações ou restrições sobre um bem. Eles servem para dar publicidade à existência de garantias, impedindo que o mesmo bem seja oferecido como garantia a múltiplos credores sem o conhecimento destes. Dependendo do tipo de bem oferecido como garantia, os gravames são registrados em diferentes órgãos.
Para imóveis, o registro ocorre em cartórios de registro de imóveis da localidade onde o imóvel está situado. Para veículos, em departamentos de trânsito ou órgãos equivalentes. Para embarcações, em capitanias dos portos ou órgãos da marinha. Para aeronaves, no registro aeronáutico brasileiro. Para participações societárias, em juntas comerciais ou cartórios de registro de títulos e documentos.
Um dos riscos mais frequentes é a oferta de garantias que já estão comprometidas com outros credores. Outro dia eu vi um contato de investimento que a garantia era uma unidade que já estava leinada ao banco por estar financiando a obra, a produção do empreendimento, olha, não tinha garantia então, porque a garantia estava subordinada ao banco, se o negócio desse errado, antes de eu receber quem recebe é o banco, não é uma garantia, concorda?
Outro risco significativo é a superavaliação deliberada do valor das garantias. Será que vale 200 mesmo? Eu já passei por fraudes aqui. Que apenas no momento da fraude, a gente investigando o terreno final, os ativos garantidores finais, nós vimos que aqueles ativos garantidores não correspondiam ao que eles deveriam valer.
Os especialistas alertam para um comportamento cultural que aumenta a vulnerabilidade. Nós vimos muito aqui, eu diria que o brasileiro, ele confia no outro. Por mais que a gente diga que o brasileiro é desconfiado, o brasileiro, ele confia no outro. Parte da confiança, eu acredito, é a desinformação. O indivíduo, ele não sabe como se posicionar, ele não sabe o que esperar, inclusive. Então, ele se posiciona com um nível de fidúcia maior do que o que ele deveria no final do dia.
Um fator estrutural que aumenta os riscos é a assimetria de informação. As fraudes... Elas acontecem em muitos níveis no mercado financeiro. No mercado financeiro, o mercado é simetria, né? Quem tem mais informação, tira dinheiro de quem tem menos informação. É assim que funciona. É tudo certo, essa é a regra, só aceitar e transitar nela com consciência.
A negligência em relação às garantias reais e gravames em órgãos públicos representa uma vulnerabilidade crítica que pode destruir patrimônios familiares inteiros. A implementação de processos estruturados de verificação e registro de garantias representa investimento fundamental para proteção patrimonial eficaz e sustentável.
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