Banking e Allocation
Por Que 80% das Famílias Ricas Mantêm Estruturas Bancárias Desalinhadas
26 de jan. de 2026

Editorial MAM
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O Editorial MAM é formado por um núcleo estratégico da MAM Trust & Equity, composto por especialistas em sucessão, governança, estruturação internacional, fiscal e societária. Com mais de duas décadas de atuação no mercado, o time se dedica à produção de conteúdos que esclarecem os principais movimentos que impactam grandes fortunas.
Por Que 80% das Famílias Ricas Mantêm Estruturas Bancárias Desalinhadas
A relação entre entidades societárias e contas bancárias representa um elemento fundamental na estruturação patrimonial eficiente, mas um desalinhamento crítico pode custar até R$ 30 milhões em ineficiências operacionais e oportunidades perdidas ao longo de duas décadas. Uma análise recente revelou que aproximadamente 80% das famílias brasileiras com patrimônio internacional mantêm estruturas bancárias inadequadamente alinhadas com suas entidades societárias, criando vulnerabilidades operacionais, fiscais e estratégicas que poderiam ser facilmente corrigidas com planejamento adequado.
Um princípio fundamental frequentemente negligenciado é a possibilidade de separação geográfica entre a jurisdição de constituição de uma entidade societária e a localização de suas contas bancárias. As contas bancárias das empresas não precisam necessariamente estar no mesmo país que as empresas estão abertas. É possível ter, por exemplo, uma sociedade nas ilhas britânicas com conta na Suíça, uma sociedade em Portugal com uma conta em Luxemburgo, nas Ilhas Virgens com contas nos Estados Unidos. É totalmente possível fazer esse tipo de troca de posição bancária jurisdicional, no sentido societário da empresa.
Esta flexibilidade geográfica permite que famílias patrimonializadas otimizem simultaneamente vantagens societárias, beneficiando-se de características específicas de determinadas jurisdições para constituição de entidades como proteção patrimonial, privacidade e flexibilidade corporativa. Permite também otimizar vantagens bancárias, selecionando instituições financeiras em jurisdições que ofereçam benefícios específicos como estabilidade, serviços especializados e eficiência operacional.
Adicionalmente, proporciona diversificação geográfica, mitigando riscos políticos e econômicos através da distribuição de ativos em múltiplas jurisdições, e otimização fiscal, estruturando operações de forma a respeitar requisitos regulatórios enquanto maximiza eficiência. Esta separação, contudo, deve ser implementada com cuidadoso planejamento e consideração de aspectos regulatórios, fiscais e operacionais para evitar complicações futuras.
Um problema frequentemente observado em estruturas patrimoniais familiares é o desalinhamento entre o desenho societário e a infraestrutura bancária. Muitas famílias têm às vezes estruturas societárias que elas abrem sem a estrutura bancária corretamente montada, sem estar com as ferramentas corretas, sem estar nos países corretos, sem estar com as funcionalidades que as empresas precisam para poder funcionar.
Este desalinhamento pode manifestar-se de diversas formas. Primeiro, através de contas inadequadas para o propósito da entidade, com utilização de contas com características incompatíveis com a natureza e objetivos da sociedade. Segundo, pela ausência de funcionalidades necessárias, com falta de recursos bancários essenciais para operações específicas da entidade. Terceiro, por jurisdições bancárias subótimas, com seleção de bancos em jurisdições que não oferecem os benefícios desejados ou apresentam desvantagens significativas. Quarto, por estruturas de governança bancária inadequadas, com ausência de controles apropriados para aprovação e monitoramento de transações.
As consequências deste desalinhamento podem incluir ineficiências operacionais, custos desnecessários, riscos regulatórios aumentados e dificuldades na implementação da estratégia patrimonial global. Um aspecto crítico frequentemente negligenciado é a adequação do tipo de conta bancária à natureza da entidade societária. Muitas vezes contas inadequadas, contas passivas para empresas ativas e vice-versas, contas que não têm a estrutura correta de duplo crédito.
Esta adequação envolve diversos aspectos fundamentais. Primeiro, contas ativas versus passivas, onde a natureza da conta deve refletir o propósito e atividade da entidade. Contas ativas são apropriadas para entidades com operações frequentes e múltiplas transações, enquanto contas passivas são adequadas para entidades de holding puro com movimentações limitadas.
Segundo, estruturas de aprovação, com implementação de controles apropriados para autorização de transações. Aprovação simples para transações de menor risco ou valor, aprovação dupla para transações significativas seguindo princípio de segregação de funções, e aprovação multi-nível para estruturas complexas com hierarquia de autorização.
Terceiro, funcionalidades específicas, com recursos bancários alinhados às necessidades operacionais da entidade, incluindo capacidade multi-moeda, serviços de câmbio integrados, plataformas de investimento, facilidades de crédito e serviços fiduciários. A seleção adequada do tipo de conta e suas funcionalidades deve ser parte integrante do planejamento societário, não uma consideração posterior.
Um caso exemplar ilustra dramaticamente o custo do desalinhamento entre estruturas societárias e bancárias. Uma família empresária mantinha holding internacional com patrimônio de R$ 180 milhões, mas utilizava contas bancárias inadequadas para a complexidade de suas operações. A holding operava com conta passiva inadequada para suas múltiplas transações internacionais, não possuía estrutura de aprovação dupla para transações significativas, mantinha contas em jurisdições com custos elevados e funcionalidades limitadas, e carecia de integração adequada entre diferentes contas e entidades.
As consequências foram substanciais: custos operacionais 40% superiores ao necessário devido a tarifas inadequadas e ineficiências, atrasos frequentes em transações por falta de funcionalidades apropriadas, exposição a riscos regulatórios por controles inadequados, e perda de oportunidades de investimento por limitações bancárias. Quando finalmente reestruturaram adequadamente suas contas bancárias, alinhando- as com suas entidades societárias, conseguiram economia anual de R$ 1,2 milhão em custos operacionais e significativa melhoria na eficiência operacional.
A análise de país para a conta bancária precisa sempre ser feita. Em relação a sigilo bancário, custo de carregamento, flexibilidade operacional, relação com o gerente, são os principais itens que devem ser analisados em uma conta, principalmente offshore. O nível de confidencialidade oferecido por diferentes jurisdições varia significativamente e tem sofrido transformações importantes nas últimas décadas, com evolução histórica de sigilo absoluto para troca de informações regulamentada.
Os custos associados à manutenção de contas bancárias internacionais podem variar substancialmente, incluindo taxas de manutenção como custos fixos mensais ou anuais, custos transacionais como tarifas para transferências e câmbio, requisitos de saldo mínimo, custos implícitos como spreads em operações de câmbio, e diferenciação entre serviços incluídos versus adicionais. Uma análise abrangente deve considerar o custo total de propriedade, não apenas taxas isoladas.
A flexibilidade operacional representa a capacidade do banco de acomodar necessidades específicas e oferecer soluções personalizadas, incluindo qualidade das plataformas digitais, horários de processamento para transações internacionais, capacidades multi-moeda, integração com outros serviços, adaptabilidade a estruturas complexas, e suporte a operações internacionais. A flexibilidade operacional impacta diretamente a eficiência da gestão patrimonial cotidiana.
A qualidade do relacionamento bancário, frequentemente subestimada, pode ser determinante, incluindo estabilidade da relação com baixa rotatividade de gerentes, expertise específica sobre estruturas internacionais, capacidade de resposta ágil, proatividade na antecipação de necessidades, acesso a especialistas quando necessário, e compreensão do contexto familiar. Um relacionamento bancário sólido pode facilitar significativamente a operação de estruturas internacionais complexas.
A implementação de revisões bancárias anuais, conforme recomendado pelos especialistas, permite avaliação sistemática da adequação das estruturas existentes e identificação de oportunidades de otimização. Essa é a dica para que você possa implementar na sua estrutura societária uma revisão bancária de banking uma vez por ano. Recomenda-se sempre depois das declarações fiscais, para que você possa sempre estar em boas mãos.
Esta revisão periódica deve incluir avaliação de adequação verificando se as contas atuais continuam alinhadas às necessidades, análise de custos revisando tarifas e custos totais, verificação de serviços confirmando que funcionalidades necessárias estão disponíveis, revisão de riscos identificando vulnerabilidades ou exposições indesejadas, e análise de alternativas explorando novas opções disponíveis no mercado.
Lembra sempre nesse momento de fazer suas concorrências, verificar crédito, verificar limites, verificar custos de carregamento, para você estar sempre em uma boa acomodação com o seu provedor bancário. Os bancos precisam passar por concorrência também, todos os anos. Esta prática de benchmarking regular oferece otimização de custos, melhoria de serviços, ampliação de limites, manutenção de competitividade, e diversificação de relacionamentos.
O alinhamento estratégico entre entidades societárias e contas bancárias, revisitado regularmente e adaptado conforme necessário, constitui a essência de uma abordagem sofisticada à gestão patrimonial internacional. Lembra sempre de estar no banco correto, com as funções corretas, na relação correta, para a sua estrutura bancária funcionar bem com a sua estrutura societária.
Entender que entidades societárias e contas bancárias não precisam estar na mesma jurisdição é apenas o começo. O verdadeiro risco está no desalinhamento entre desenho societário, tipo de conta, funcionalidades bancárias e estratégia patrimonial global. Transformar contas inadequadas e estruturas dispersas em uma arquitetura bancária e societária integrada, eficiente e preparada juridicamente é exatamente o propósito do Método Prisma.



