Passei as últimas semanas conversando com médicos donos de clínica, e a frase que mais ouvi foi alguma variação de “eu montei a PJ justamente para isso”. Montou, e funcionou por décadas. O problema é que a premissa que sustentava esse desenho mudou, e mudou de vez.
A premissa que sustentava tudo caiu
Por quase trinta anos, o caminho do médico bem assessorado foi o mesmo: atender pela pessoa jurídica, pagar o imposto da PJ e retirar o resultado como dividendo isento. Era o desenho correto, e todo contador competente o recomendava.
A reforma encerrou essa fase. A distribuição de lucros deixou de ser isenta, e a renda que você tira da sua clínica passou a ter uma conta nova, que não existia quando a estrutura foi montada. Não é ajuste de alíquota numa margem. É a premissa central do desenho que caiu.
A PJ do médico não deixou de fazer sentido. O desenho dela é que precisa ser refeito para a regra nova.
A segunda conta: a clínica virou base de herança pelo valor de mercado
A frente menos comentada é a sucessória. O imposto de herança passa a incidir sobre o valor de mercado do que você transmite, e não mais sobre o valor declarado ou contábil.
Diagnóstico de Economia Real
A cada trimestre analisamos um número restrito de patrimônios. Se a sua estrutura precisa ser revista antes das mudanças, o momento de olhar com calma é agora.
Solicitar meu diagnóstico →Para uma clínica, essa diferença é enorme. O valor de mercado inclui o ponto, a marca, os equipamentos e a carteira de pacientes que você levou uma carreira para construir. Uma estrutura que vale pouco no papel pode valer múltiplos disso a mercado, e é sobre esse número maior que a próxima geração vai pagar para herdar.
O erro é decidir peça por peça
Diante das duas contas, a reação comum é tratar cada uma com um profissional diferente: o contador mexe no pró-labore, o advogado olha a holding, o gerente do banco sugere um produto. Cada peça até pode ficar correta isoladamente. O custo aparece na falta de coordenação entre elas.
Quanto retirar como pró-labore e quanto como dividendo, o que reinvestir dentro da PJ, como separar o patrimônio pessoal que a clínica formou ao longo dos anos, e como organizar a transmissão disso tudo: essas decisões só fecham conta quando são desenhadas juntas, como um sistema único. É exatamente esse desenho que muda de figura com a regra nova.
O que eu faria agora
Não é sobre correr para uma manobra de última hora. É sobre ter clareza de três números antes de a janela fechar:
- Quanto a regra nova passa a cobrar sobre a renda que você tira da sua PJ hoje.
- Quanto a sucessão da sua clínica custaria pelo valor de mercado, na regra que entra em vigor.
- E quanto dessa conta diminui com uma reorganização feita com calma, ainda em 2026, dentro da regra atual.
Quem faz essa conta agora decide com serenidade. Quem deixa para depois decide sob pressão, e pressão é o pior conselheiro patrimonial que existe.
Se quiser olhar os seus números, o caminho curto é a calculadora que preparamos para médicos e donos de clínica. E se preferir uma análise conduzida do seu caso, o processo é o MAP, nosso diagnóstico patrimonial. Sem discurso de venda, sem compromisso. A decisão continua sendo sua.
